
Com distribuição da Descoloniza Filmes, documentário acompanha lideranças femininas em Sol Nascente durante posse de Lula; confira também pôster oficial
O documentário “Não Existe Almoço Grátis”, dirigido por Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, chega oficialmente aos cinemas brasileiros no dia 3 de setembro, com distribuição da Descoloniza Filmes. Junto com o anúncio da data de estreia comercial, confira também o pôster oficial do longa-metragem, que traz visibilidade para a luta diária contra a fome e a potência da organização comunitária no Brasil.
Os profundos danos durante a gestão da pandemia de Covid-19 foram acompanhados por outro vírus terrível: a fome. A falta de políticas públicas para enfrentar essa situação levou o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) a organizar dezenas de Cozinhas Solidárias, distribuindo almoços grátis por todo o país.
Em Brasília, três mulheres negras, Bizza, Jurailde e Socorro, lideram uma dessas Cozinhas Solidárias, localizada na maior favela do país, Sol Nascente, a apenas 30 km do centro da capital. No contexto da posse de Luiz Inácio Lula da Silva, elas estão encarregadas de cozinhar para as centenas de militantes do movimento que chegarão a Brasília para assistir à cerimônia no dia 1º de janeiro.
As três protagonistas possuem arcos narrativos singulares, apresentados de modo não linear ao longo do filme. Bizza sonha em construir sua casa e abrir seu próprio negócio no lote que conquistou através da luta no MTST. Jurailde, evangélica, vincula sua conexão com a terra à sua ancestralidade indígena e seu passado de trabalho infantil. Socorro, por sua vez, descobre o orgulho de si ao formar sua própria família depois de ter sido abandonada pelo pai na infância.
“Costurando relatos íntimos ao registro vivo e em movimento da força da organização coletiva, o filme é um manifesto contra as máximas neoliberais da meritocracia, do individualismo e do lucro. Sua linguagem visual e sonora marca o contraste da desigualdade social no Distrito Federal, fazendo de Brasília uma personagem símbolo de injustiças a serem superadas. É nesta cidade partida que Socorro, Jurailde e Bizza se conhecem e se tornam coordenadoras de uma das Cozinhas Solidárias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, distribuindo almoços grátis diariamente“, refletem os diretores Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel.
Em meio a ameaças de golpe e crescente violência política, “Não Existe Almoço Grátis” acompanha esta saga de preparação logística e culinária massiva no contexto da posse presidencial mais paradigmática desde a redemocratização. Ao mesmo tempo, o filme traz entrevistas profundas com Bizza, Jurailde e Socorro, cujas vidas têm sido cheias de dificuldades, mas de muita resistência.
A recepção do filme pela crítica especializada destaca justamente a capacidade da obra de contrapor a frieza econômica à força da solidariedade humana. Para Luiz Fernando Zanin Oricchio, do Estadão, o documentário aponta sua câmera para o oposto da visão mercantil da sociedade: “São histórias de vida muito bonitas que nos ajudam a pôr os pés no chão e nos descentram das inquietações da classe média. O bonito é que o próprio cinema nos fornece essa consciência“. O crítico Pablo Villaça elegeu como seu preferido na 13ª edição do Olhar de Cinema: “é um filme encantador que fala da importância da luta e de um movimento da educação política das pessoas”, declarou.
Por sua vez, Vincent Sesering, para o Cine Set, aponta como o documentário articula o cotidiano com o contexto histórico do país ao capturar “este momento emblemático da posse do terceiro mandato do governo Lula. Ao mesmo tempo em que apresenta o funcionamento e a importância da organização, a direção enquadra a favela do Sol Nascente aproximando as torres do Congresso Nacional. Um achatamento da imagem para juntar povo e política, trazendo como base de toda a luta a força das trabalhadoras“.
O filme traz reflexões sobre a importância da organização coletiva e como laços de afeto e comunidade são essenciais para combater estruturas injustas e desafiar máximas de mérito e lucro individual. Na luta diária por moradia e contra a fome, Bizza, Jurailde e Socorro já antecipam muito do que sonham e provam que o futuro se cozinha hoje e a muitas mãos.
“Há um pacto profundo entre filme e movimento social, do qual emerge a possibilidade de um mergulho na realidade do maior movimento urbano da América Latina e nos laços de afeto e comunidade fundamentais para combater as estruturas injustas de nossa sociedade. Em ano eleitoral, o filme é um lembrete de que a luta deve ser diária“, conclui Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel.
Antes de sua chegada às salas de cinema, “Não Existe Almoço Grátis” construiu uma sólida e premiada trajetória pelos principais festivais do país. Sua caminhada começou no 27º ForumdocBH, integrando a Mostra Contemporânea Brasileira. Em seguida, na 56ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o documentário conquistou o público e a crítica na Mostra Brasília, onde foi consagrado com o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular e recebeu a Menção Honrosa do Júri Oficial.
O apelo e o reconhecimento do público voltaram a se consagrar na 13ª Mostra Ecofalante de Cinema, onde o longa venceu novamente o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular. A obra seguiu em exibição pela Mostra Foco do 13º Olhar de Cinema e integrou a Competitiva Nacional do 31º Festival de Cinema de Vitória, no qual recebeu mais uma Menção Honrosa do Júri Oficial. Já no 21ª Mostra do Filme Livre, recebeu o Prêmio Destaque.
SINOPSE
Em Sol Nascente, maior favela do Brasil, Socorro, Jurailde e Bizza lideram uma das Cozinhas Solidárias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), distribuindo almoços de graça diariamente. Para a posse do presidente Lula, estão encarregadas de cozinhar para centenas de pessoas que chegarão a Brasília para assistir à cerimônia no dia 1 de janeiro. Em meio a ameaças de golpe, o documentário acompanha o evento e a organização coletiva, revelando que o futuro se cozinha hoje e a muitas mãos.
FICHA TÉCNICA
Direção: Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel
Distribuição: Descoloniza Filmes
Produção Executiva: Marcos Nepomuceno, Pedro Charbel e Evelyne Lessa
Direção de Fotografia: André Hawk
Colaboração: Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)
Montagem: Isabelle Araújo e Daniel Garcia
Roteiro de Montagem: Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel
Colorização: Saulo Silva e Claudia Daher
Música Original: Daniel Simitan
Supervisão de Som e Mixagem: Felipy Andrade (A3pS)
Edição de Ambiências: Rodrigo Andrade
Som e Microfonação: André Ribeiro
Assistente de Edição de Ambiências: Christian S. de Macedo
Design Gráfico: Thiago Rocha Ribeiro
Efeitos Visuais: Brenda Ximenes
Masterização: Gabriel Stefano
FESTIVAIS E PRÊMIOS
27º ForumdocBH — Mostra Contemporânea Brasileira (novembro, 2023);
56º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Mostra Brasília (dezembro, 2023);
— Melhor Filme pelo Júri Popular
— Menção Honrosa do Júri Oficial
13ª Mostra Ecofalante (maio a novembro, 2024);
— Melhor Filme pelo Júri Popular
13ª Olhar de Cinema — Mostra Foco (junho, 2024)
31º Festival de Cinema de Vitória — Competitiva Nacional (julho, 2024)
— Menção Honrosa do Júri Oficial
26º Festival Kinoarte de Cinema (outubro, 2024)
04º Citronela Doc — Festival de Documentários de Ilhabela (novembro, 2024)
10º Festival Internacional de Cinema Socioambiental Planeta.doc (dezembro, 2025)
21ª Mostra do Filme Livre (janeiro, 2025)
— Prêmio Destaque Mostra do Filme Livre
MARCOS NEPOMUCENO | Diretor
Marcos Nepomuceno é diretor, produtor e jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Seu trabalho investiga a realidade brasileira através do cinema documental, explorando temas como território, memória, identidade, cultura popular, pertencimento comunitário e transformação social. Atuou como primeiro-assistente de direção em produções da TV Globo e do Globoplay, integrando as equipes das novelas “Babilônia” (2015), “Rock Story” (2017) e “Segundo Sol” (2018), além das séries “Desalma” (2020 e 2022) e “Encantados” (2023). Em 2022, fundou a produtora independente Filmes da Terra, dedicada ao desenvolvimento de projetos documentais e narrativas autorais voltadas à diversidade cultural brasileira. Seu primeiro longa-metragem, “Não Existe Almoço Grátis” (2023), codirigido com Pedro Charbel, acompanha lideranças femininas do MTST durante a posse presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente, finaliza o longa documental “Um Dedo Acima do Chão”, filmado no Cariri cearense durante as eleições presidenciais de 2022, e dirigiu o especial documental “Dominguinho” (TV Globo – 2026), acompanhando a turnê europeia de João Gomes, Mestrinho e Jota.pê. Também dirigiu três temporadas da série “Tributo” (TV Globo – 2024, 2025 e 2026), dedicada a grandes nomes da cultura brasileira.
PEDRO CHARBEL | Diretor
Pedro Charbel possui mestrado em Sociologia e graduação em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo (USP). Com ampla atuação em lutas por direitos humanos e justiça no Brasil e no mundo, “Não Existe Almoço Grátis” (2023) é seu primeiro filme, codirigido com Marcos Nepomuceno. Militante do MTST, coordena o projeto Cinema Sem-Teto, que busca democratizar o acesso ao cinema brasileiro nas periferias. Como produtor, roteirista e diretor, está desenvolvendo o documentário “Rota de Mudança” (prêmio de melhor pitching no FomentaCine 2025 do Cine Brasília) e o curta de ficção “No Mar Também Criamos Raízes”, em codireção com Gizele Martins. Em 2023, fundou a produtora Urupê Filmes e, como curador, organizou a Mostra Saúva de Cinema – Transição, Território e Clima, realizada em Belém em 2025. Atualmente, coordena a Aliança Chega de Soja, uma coalizão de movimentos e organizações que tenta frear o avanço da monocultura sobre a Amazônia e o Cerrado. É também militante do PSOL e editor-chefe da Jatobá, a revista socioambiental da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco. Anteriormente, atuou como assessor parlamentar na Câmara dos Deputados e como coordenador latino-americano do Comitê Nacional Palestino de BDS.
EVELYNE LESSA | Produtora Executiva
Evelyne Lessa é formada em Direito e atua há mais de 21 anos na área tributária, conciliando sua experiência jurídica com sua atuação na produção cultural e cinematográfica. Idealizou e realizou “Você é o que Lê” (2016-2019), projeto que percorreu mais de 50 cidades no Brasil, além de outros países de língua portuguesa. No teatro, produziu a peça “A Cerimônia do Adeus” (2023), com texto de Mauro Rasi. No audiovisual, é sócia da Pina Filmes, produtora sediada em Salvador (BA). Esteve à frente do curta-metragem “Brecha” (2024) e do documentário de longa-metragem “Não Existe Almoço Grátis”, dirigido por Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel. Atualmente, produz os longas “Um Dedo Acima do Chão” (2023), documentário dirigido por Joana Antonaccio e Marcos Nepomuceno, e “Ritta Faromi – A Flecha Sobre as Águas” (2025), documentário híbrido dirigido por Joana Antonaccio.
DESCOLONIZA FILMES | Distribuição
A Descoloniza Filmes é uma distribuidora e produtora audiovisual independente sediada em São Paulo, fundada em 2017 por Ibirá Machado. Desde 2018, atua no lançamento e na circulação de filmes autorais brasileiros e do Sul Global, com foco em obras de relevância social, política e cultural. Seu catálogo reúne longas exibidos e premiados em importantes festivais nacionais e internacionais, como Cannes, Berlim, Roterdã, É Tudo Verdade e Festival de Brasília, além de circulação comercial em salas de cinema, plataformas digitais e televisão. Entre os títulos lançados estão “Carta Para Além dos Muros”, de André Canto (Top 10 Netflix Brasil); “Aleluia, o Canto Infinito do Tincoã”, de Tenille Barbosa; “Para Onde Voam as Feiticeiras”, de Eliane Caffé, Carla Caffé e Beto Amaral; “Dorival Caymmi – Um Homem de Afetos”, de Daniela Broitman; “Máquina do Desejo”, de Lucas Weglinski e Joaquim Castro; “Luz nos Trópicos”, de Paula Gaitán; “Incompatível com a Vida”, de Eliza Capai; “Thiago & Ísis – Os Biomas do Brasil”, de João Amorim; “Neirud”, de Fernanda Faya; e “Rejeito”, de Pedro de Filippis.
Para 2026, a Descoloniza tem em seu catálogo e calendário de lançamentos as obras “Cheiro de Diesel”, de Gizele Martins e Natasha Neri; “Mais Um Dia, Zona Norte”, de Allan Ribeiro; “Nós Somos o Amanhã”, de Lufe Steffen; “Diamantes”, de Daniela Thomas, Sandra Corveloni e Beto Amaral; “Peréio, Eu Te Odeio”, de Tasso Dourado e Allan Sieber; e “Clarice Vê Estrelas”, de Letícia Pires. A empresa também atua em coproduções e projetos de impacto, articulando distribuição, formação de público e estratégias de circulação em diferentes territórios.




